31 de março de 2015

Paixão estridente e coelhos assustadores

Giram, giram, giram... Marcam compromissos, atrasam, adiantam, enfeitam. Fazem aquele barulho irritante quando tentamos dormir. "Tic tac, tic tac, tic tac..." Os desgraçados conseguem atrasar a gente quando consomem toda a bateria. Esmagam o nosso pulso quando estão muito apertados. Caem no chão quando ainda não foram ajustados. Olham pra gente cada vez com uma carinha diferente.

Nutrir um amor por relógios pode até ser estranho, mas sonhar em ter uma coleção deles é um pouco assustador. Mas dane-se se isso soa de um modo sombrio: eu quero ter uma coleção de relógios. Daquelas bem grandes. Daquelas bem antigas. Daquelas que têm os relógios organizados em ordem de aquisição. Daquelas que têm os relógios de todas as cores, formas, preços, lugares e sentidos.

O esquisito é que esse é um dos meus gostos que tenho desde pequena e que permanece comigo até hoje: desde lá, aos quatro anos de idade, eu queria ter uma coleção de relógios. Tudo bem que eu não levei a história adiante e resolvi colecionar moedas, que eram mais fáceis de serem encontradas.

Talvez tudo seja culpa do meu pequeno vício em Alice no país das maravilhas, onde aquele coelho esquisito que assustava todas as crianças acabou por ser tomar meu marido. E dane-se: houveram brigas, houve aquela velha crítica das pessoas que se referiam ao problema que uma criança deve ter por ter se casado imaginariamente com um coelho assustador.

Com o tempo veio o divórcio, mas eu me casei com o coelho de Alice no país das maravilhas. E ele tinha um relógio muito legal. Tem coisa mais importante que isso?

29 de março de 2015

A força da mudança

Os gostos mudam. Mudam as pessoas. Mudam suas relações. Te mudam, mesmo sem você ter pedido por mudança. Eles se intrometem na sua vida e tomam peito daquilo que deveria ter sido decisão sua, e que, na real, foi. Dizem que a mudança vem sempre para agregar algo de positivo na sua vida, só que a gente nem sempre vê desse jeito.

A saudade dos gostos antigos volta toda hora. Toma peito das melhores sensações. Destrói aquilo que era para ser algo bom. Te destrói, por dentro e por fora. Por escolha sua



Nem sempre foi assim, é claro. Havia um tempo em que você era autoritária o bastante para mandar nos seus sentimentos, até deixar que eles tomassem peito e te mandassem. Mas o que nós não enxergamos é que a situação pode ser revertida novamente. Você pode mandar. Decidir. Jogar a força na sua autoridade e escolher. Só que a gente nem sempre percebe isso e, quando olha ao redor, ninguém é capaz de te lembrar.